Soul é uma questão de cor? Ou de alma?

Por: Helton Kuhnen as 17:03 | 18.05.08 | em: Quase-Tudo


Como estou escrevendo sobre música, toda semana, no Nossa Via adquiri uma obrigação deliciosa de tentar “descobrir” as novas tendências musicais, principalmente, na web. Ou melhor observar, e baixar, o que o jornalismo musical anda dizendo que vai bombar. Navegando pelos blogs e canais de música, nas últimas semanas, eu conheci Duffy, Estelle e Adele (esta última dica do meu amigo Vinny) que são as novas sensações do soul britânico.

Duffy

Duffy

Primeiramente, eu conheci a Duffy com o videoclipe “Mercy” na MTV. Fiquei impressionada com a volta do soul glorioso dos anos 70. O soul que veio repaginado pela Amy, em 2006, trouxe outras cantoras, entretanto, o que poderia soar copiado, mostra um nível de canções ótimas e bem acima da média. Todas bebem do soul tradicional, e, incluem alguns elementos pop, todavia, são completamente diferentes.

Adele

Adele

O soul e a black music, assim como o rock, sempre estiveram presente em minha casa. Então, eu sei muito bem do que estou falando. Há algum tempo, eu e minhas irmãs temos amores por três cantores diferentes: Eu pelo Barry White, Fernanda pelo Marvin Gaye e Franci por Stevie Wonder. Cada uma ouvi o seu, mas isso nos conecta ao passado, principalmente, por que nossa mãe gosta intensamente dos artistas de outros da era Montown.

Atualmente, o soul está na moda. E, logo, a questão racial não demorou a aparecer. O fato delas serem ou não competentes por serem brancas foi levantada pela Estelle, que afirmou o seguinte: “Como negra, eu me sinto assim: ‘vocês estão dizendo PRA MIM que isso é MINHA música? Foda-se! Eles ficam tentando dizer na mídia o que a música soul é e a gente SABE o que soul music é, então parem de tentar nos ferrar! Assim você está tirando um sarro de cada pessoa negra do país!”.

Estelle

Estelle

Estelle tem uma música bastante interessante, e eu entendo o seu ressentimento. Tanto que comentei sobre isso no artigo do Camilo Rocha sobre as suas polêmicas declarações: As idéias de Estelle, tem um fundo de razão. Não porque há poucas de negras na linha de frente do soul atual, e, sim porque a mídia está em busca de cópias de Amy, como podem ser a Adele e Duffy (que são completamente diferentes entre si). Sou negra e entendo o ressentimento de Estelle, entretanto, ser radical em sua colocação foi a pior atitude dela. Mas, a mídia e as gravadoras devem estar procurando apenas cantoras brancas para cantar soul, pelo fato de estar na moda. E isso prejudica aquelas que são negras, como Estelle, e fazem um som mais próximo da raiz faz tempo. O mercado já é difícil (se bem que melhorou pacas com a web), mas fica pior com a busca somente de novas Amys.

Infelizmente, muitos tem a falsa percepção de que os negros estão afastados da música do passado, e que estão envolvidos apenas com Hip Hop e R&B. Isso é equivocado, e sobre isso eu falei: O negro americano ou inglês jamais “abandonou” o soul ou o blues. O que ocorre é que Ashantis e Beyoncés e 50 cents, tem mais visibilidade, e, consequentemente, rendimento.

E sobre a enfadonha polêmica eu encerrei: Há música negra em tudo, no rock, nos rollings stones, em Adele, Duffy, e todos em nós. Então, Estelle você está errada de certa forma, pois, uma cantora negra não pode cantar heavy metal e soar verdadeiro? A música é mais world do que parece, contudo, as embalagens é que são diferentes. Se Adele, Duffy ou até Estelle irá permanecer só o mercado dirá, entretanto, ficar entre a questão da pele é bastante ultrapassado. O que importa mesmo é a música.

P.s. Vou fazer um faixa a faixa para o Nossa Via na próxima quinta.

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