Fraude no Rio de Janeiro chega a mais de R$ 1 Bi
Por: Helton Kuhnen as 03:03 11.12.07 em: 365 Dias
O prejuízo aos cofres públicos é resultado de um esquema de sonegação de impostos montado por fiscais de renda, empresários, contadores e colaboradores. “Com o material apreendido em 106 locais, virão desdobramentos. Já há uma lista com empresas de grande porte que devem ser objetos de investigação em breve. Isso mostra que o esquema é bem maior e que, possivelmente, o rombo é muito superior àquele de R$ 1 bilhão, valor estimado inicialmente”, disse Marfan.
Sexta-feira a denúncia do Ministério Público (MP) foi aceita pela Justiça. Foram decretadas 26 prisões preventivas. Entre elas, a do fiscal Francisco Rocha Cunha Gomes, o Chico Olho de Boi, preso há duas semanas, e a de seu filho, Alexandre de Thuin da Cunha Gomes, foragido. Na lista dos que vão responder a processo por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva, há 21 fiscais.
Durante a Operação Propina S.A., deflagrada dia 28 com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MP, a polícia apreendeu R$ 1 milhão em dinheiro. Houve ainda o bloqueio de R$ 1,7 milhão em contas correntes e a apreensão de jóias, armas, duas lanchas e documentos. Para o MP, Chico Olho de Boi era o principal articulador das fraudes. Na denúncia, a quadrilha é dividida em três núcleos. Segundo o MP, Chico permitia, por exemplo, que a Cecimar Distribuidora Farmacêutica Ltda emitisse nota fiscal, sem recolher o imposto devido. Em troca da “blidagem” de empresas e cooperativas de leite, fiscais ganhavam propinas. Um deles, Leopoldo César de Miranda Lima Netto, recebeu R$ 25.087,10 da Market Care.
No rastro do esquema de corrupção, os promotores identificaram que os integrantes da quadrilha também atuavam no mercado de venda de crédito de ICMS. Como O Dia noticiou domingo, os fiscais identificavam companhias que teriam créditos de ICMS acumulados para transferir e aquelas que necessitariam dos valores para abater do imposto a ser pago ao estado.
Os valores envolvidos eram milionários, e as comissões oscilavam entre 10% e 20% para os servidores corruptos. “É uma investigação importante, emblemática, talvez a maior que o MP tenha feito no Rio.
Na questão de sonegação fiscal, é, sem dúvida, a maior operação do País”, garantiu o procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira. Para “lavar” o dinheiro, fiscais usavam empresas de fachada. No caso de Chico Olho de Boi, a GAP Administração e Participações Ltda. A empresa pertence ao seu filho, Alexandre de Thuin Cunha Gomes. Em nome da firma, há uma casa supostamente negociada com o traficante colombiano Juan Carlos Abadía, preso no início de agosto, em São Paulo, pela Polícia Federal.


