
Comprar. Quem não gosta dessa palavrinha, não é? Se olharmos no dicionário, comprar significa apenas adquirir, obter, subornar. Mas todos nós sabemos que vai muito além dessa simples definição. A dimensão do significado de comprar varia de mente para mente, e haja definição para esta palavra quando se trata da mente feminina, não é?
É aí que eu queria chegar! Bom, hoje eu estava no ônibus e duas mulheres conversavam na minha frente (eu diria até que bastante alto – rs). Jovens, bonitas, bem arrumadas. Até aí tudo bem. Eu estava lá, na minha, até que uma delas vira pra outra e fala: “Ah amiga, tô até vendo sabe?! Vou começar a trabalhar segunda e já vi que meu salário vai todo pra roupa e sapato. Fazer o que, né?”. Aí a outra me vira e fala: ” Ihh! Não esquenta, comigo também é assim. Não sobra nada depois das compras”. Então fui pra casa e fiquei pensando: O que faz duas jovens, bonitas e bem arrumadas se tornarem tão compulsivas e conformadas?
É claro que essa sociedade de consumo em que vivemos hoje já nos leva para esse “mal caminho”. Mas isso não é tudo. Não podemos simplesmente colocar a culpa na sociedade e ponto, afinal, no fundo a culpa é nossa, nós somos levados para esse caminho e no final até gostamos, não é? ( E como!). O mercado de consumo seduz os consumidores (que não ligam nem um pouco de serem seduzidos), aguçam seus desejos e necessidades, fazendo estes crescerem cada vez mais, e como nunca encontram a satisfação desejada, um novo desejo e uma nova necessidade vêm e tudo começa de novo. Esse é o ciclo do consumidor ideal.
E é nesse ambiente de consumo que as pessoas estão ficando cada vez mais conformadas em serem consumistas de carteirinha e no comodismo vão esquecendo de mudar. Aí vem aquele dilema: “Você consome para viver ou vive para consumir?” Se você respondeu a segunda pergunta, é hora de parar um pouco e refletir. Tá, tudo bem, eu sei que é difícil, principalmente se você é mulher, porque não é fácil, não é? Imagine só: você passeando no shopping e de repente aquela blusa perfeita, dos seus sonhos, te encanta e te paralisa ali, na frente da loja. Poder comprar você pode. Mas aí no fundo aquela blusa vai acabar te dando aquela dor de cabeça na hora de pagar e você fica na dúvida por alguns instantes. No fim a sua compulsão acaba levando a blusa pra casa. E em casa você só consegue lembrar da fatura no fim do mês, ou seja, o prazer da compra foi engolido pela culpa. Que situação, né?
Andar sem dinheiro, sem cartão de crédito, sem cheque, pode ser uma solução para quem quer começar a mudar de postura. Não é 100% de garantia, porque quem quer mesmo comprar acaba comprando. Mas só de você adiar a compra já é um ótimo começo, assim vai dá pra pensar direitinho se vale mesmo a pena comprar agora ou se pode deixar pra depois. E esse depois muitas vezes pode se tornar muito mais interessante e prazeroso. A partir daí você já começa a ter uma atitude mais racional em relação aos seus hábitos de consumo e já pode começar a planejar. O planejamento das compras pode lhe garantir benefícios que você nem imagina, te levando ao “bom caminho”, que prefiro chamar de educação financeira, mas isso já é assunto para um próximo post.