O filme “Tropa de Elite”, grande sucesso do cinema brasileiro de 2007, foi exibido no último dia 11 no festival de Berlim – Essa exibição já foi falada em artigos anteriores (Tropa de Elite divide Berlim; A Maldição da Tropa) , mas dessa vez o enfoque é um pouco menos descompromissado.
O longa já havia estreado nos EUA no mês de Janeiro. Mas se por um lado tem a óbvia e esperada reação – boquiaberta – dos críticos gringos, nós brasileiros ainda temos do que gargalhar (é isso mesmo, você não leu errado).
Obviamente a tradução das gírias para os infindáveis idiomas para o qual o filme já foi traduzido são um capítulo a parte. As que mais chamaram atenção foram as traduções para o inglês, obviamente. The Elite Squad, como ficou o título em inglês, apresentou as traduções das gírias de certa maneira que brasileiros que entendem inglês têm seus motivos para rir escondido.
“Pede pra sair”, por exemplo, virou “ask to quit”, normal. Já “O senhor é um
moleque” se transformou em “you’re punk”, e o mais engraçado, “O senhor é um fanfarrão” em inglês virou “you’re a buffoon”. Outro aspecto interessante é o de que a goiaba (guava) não é uma fruta muito conhecida entre os gringos, portanto, muito menos a goiabada – tradicional doce de goiaba que muitos brasileiros comem com queijo minas. Logo, a goiabada servida no quartel virou simplesmente “fresh jelly”, ou seja, uma geléia fresca qualquer – um sacrilégio, não? Os fogueteiros do tráfico foram reduzidos a simples “boywatchers”, ou seja, garotos observadores, sendo suprimida na tradução o fato de eles avisarem os traficantes com fogos de artifício. E ainda tem mais: “safado” foi traduzido como “asshole”, cuja tradução literal para o português é um palavrão – que não vou dizer qual é. “Quebra essa” ficou como “can you see my point?”.
A situação ficou pior para o grito de guerra da corporação, que simplesmente não foi traduzido. Cada vez que o grito aparece durante o filme, os gringos ficam assistindo feito bobos, sem a menor idéia do que está sendo falado, e olhando no rodapé com a esperança de encontrar alguma tradução.
“A imprensa estrangeira, obviamente, não entendeu metade das tiradas hilárias do Capitão Nascimento, mas adorou a “cena da granada”, um dos pontos altos do filme dirigido por Padilha (que veio ao festival acompanhado dos atores Wagner Moura e Maria Ribeiro, do diretor de fotografia Lula Carvalho e do produtor Marcos Prado). Mesmo com o esforço dos narradores para acompanhar o pensamento frenético de Nascimento, muita gente não entendeu muito bem os diálogos.” Trecho extraído do portal de notícias G1.
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