A dura vida de um analista de campo

Por: Helton Kuhnen as 08:00 | 21.02.08 | em: Tecnologia


Quando alguém entra na faculdade com o intuito de fazer uma graduação em TI[bb], talvez não tenha idéia ainda do ramo que quer seguir. Na época que eu entrei, estava exatamente assim: sabia exatamente que gostaria de fazer algo relacionado à computadores, sem saber ainda qual área da tecnologia eu gostaria de ingressar. Felizmente, opções não faltariam:

  • Podia ser um DBA[bb] e passar a carreira otimizando os dados das empresas no SGBDs[bb] mais importantes do mercado, como Oracle[bb] e Microsoft SQL Server[bb].
  • Podia ser um programador e ficar horas na frente de uma tela com muitos códigos a serem escritos ou escovados.
  • Podia ser um Gerente de Projetos[bb] e seguir à frente de equipes gerenciando os recursos com meu título de PMP[bb].
  • Podia ser quase tudo.

Como já é de conhecimento, a área de informática tem muita coisa pra se fazer e especializar, e todas elas dependem de muito estudo. E pra falar a verdade, eu já fui um pouquinho de cada uma destas coisas, pois quem trabalha em uma empresa média/pequena com informática sabe que não dá pra fazer apenas uma tarefa, precisa vestir a camisa do super-homem e se virar pra voar.

Mas agora, a tal vida de analista de campo é dose! Porque ? Porque você junta todas estas habilidades citadas acima e multiplica por 2. Sim, porque você terá que, além de tudo, lidar com cliente como se fosse um vendedor, pois você estará representando o produto da sua empresa. Queira ou não, é assim.

Eu, meio que por acaso, acabei caindo nesta vida de analista de campo. Comecei na vida digital como estagiário em suporte de um provedor de internet (até hoje não contei a história aqui, porém tarde mas não falhará), depois como técnico de infra em uma empresa partner Microsoft[bb], depois como analista (não na carteira, claro) em uma empresa prestadora de serviço para uma siderúrgica e por fim, como analista de campo (ou analista de negócios ou analista de suporte em campo).

Bom, e o que diferencia o analista de suporte do analista de campo ? Como o nome já diz, o analista de campo vai ao cliente, onde quer que ele esteja. E é aí que entra uma das grandes desvantagens: Trabalhar viajando.

Como sempre, você me questiona: Tá louco ? Trabalhar viajando deve ser o maior barato. Daria tudo para trabalhar em um local onde eu fique viajando, conheça várias cidades, várias pessoas.

Bom, vamos por partes então. Porque eu digo que é uma desvantagem (ou melhor, existem mais desvantagens que vantagens)?


Na estrada, à noite, o bicho pega!

Trabalhar viajando é ruim pelo fato de que você nunca sabe onde estará na semana que vem. Sendo assim, você não pode se programar pra nada com uma semana de antecedência. E se você se programar, já sabendo que na semana que vem estará em um cliente na mesma região que a sua, esta agenda pode mudar. E outra: para chegar no cliente, você precisará se deslocar de alguma forma, seja carro ou ônibus (avião é só para casos extremos e empresas maiores). O tempo que você perde neste percurso é muito grande, o que atrapalha o seu desempenho e praticamente mata dois dias da sua agenda, um da ida e outro da volta, mesmo que o percurso seja perto, você chega cansado de dirigir ou ficar encolhido na cadeira do ônibus, chegando no cliente todo amarrotado e quase com vontade de já voltar.

Sem contar que, neste ponto de viagens, quem trabalha ganhando por hora tem um prejuízo muito grande, principalmente se for de ônibus.

Conhecer várias cidades ? Relativo. Você conhece no máximo a empresa e o hotel em que tu fica. Pensa comigo: você trabalha de 8 as 18 no cliente, quando não precisa fazer hora extra. Depois, mais 30 minutos para chegar e se acomodar no hotel, tomar um banho. Depois, você terá que fazer tudo que não pôde fazer durante o dia, que é responder emails, fazer o relatório de atividades, etc. Nisto, quando você vê já é quase 21:30. Para quem tem atividades complementares, como eu (blogueiro), quando se assusta o relógio já bateu nas 23:30. Que horas você queria conhecer a cidade ? Não, balada não rola, visto que o trabalho no outro dia vai ser puxado. É, esquece, da próxima vez você conhece a cidade.

Fazer amizade com várias pessoas também é relativo. O que acontece é que você encontra com gente que você não tem certeza se vai ver de novo, talvez pra sempre. É muito perecível, não dá tempo de se fazer um amigo. Você realmente conhece muitas pessoas, porém, praticamente convive com ela naquele tempo e na próxima semana já tem uma leva de novos seres humanos para gravar o nome. Para quem tem a memória ruim como a minha, é um prato cheio pra não conseguir apegar. Porém, a grande vantagem é o contato que pode render. Já que não rende amizade, pode render contatos profissionais muito valiosos, que irão lhe ajudar em caso de uma possível troca de emprego no futuro.

A parte boa da história é que você aprende MUITO. Esta história de cada semana em um local você aprende a cultura de várias empresas, como tem empresa bem organizada, mal organizada, chefe gente boa, gerente mal-humorado. E isto faz você ter que desenvolver um jogo de cintura fora do comum, o que tornará você uma pessoa mais maleável para tratar as situações do dia-a-dia empresarial.

Outra vantagem é que nem sempre você sabe tudo, porém é OBRIGADO a correr atrás pra aprender e, na maioria das vezes, ainda ensinar, tendo que tendo que aprimorar seu jogo de cintura mais uma vez.

Estes são apenas alguns fatores que influenciam na carreira do Analista de Campo. Espero que este artigo sirva como uma pequena ajuda para quem está tentando se decidir sobre o que seguir em TI.

Abraços a todos

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Post from: Rafael Arcanjo

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Helton Kuhnen é editor do Blog HiTech Live, tem 23 anos, é de Florianópolis mas reside em Sampa. Apaixonado por tecnologia, escreve no blog tudo o que encontra de legal sobre tecnologia na Web.






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